sexta-feira, 10 de maio de 2013

(4) M&L - O livro das conquistas


04

Uma sensação quente subiu por seu corpo e quando deu por si, estava com os lábios presos aos de Mandraeke num forte beijo de carinho. Já se sentira apaixonada por homens, mas nunca ao ponto de beijá-los repentinamente. Os dois jovens abraçaram-se com força e compartilharam as emoções na flor da pele naquele beijo sob a luz do luar. Novos beijos brotaram do coração de Lillie e Mandraeke recebera cada qual como se fosse único. Por fim se encararam.
As respirações descompassadas, mas juntas. Os rostos suados e unidos pelas testas. Os lábios distantes, mas próximos o suficiente para se ligarem novamente. Os braços e as mãos mantinham o calor daquela paixão viva. Os olhos mirando-se sem pressa, com carinho e contemplação. Mais um beijo.
Era primeira vez na vida de Mandraeke que ele se sentira tão atraído por alguém e ainda mais sendo desconhecido. No fundo de sua alma queria ficar para sempre ao lado daquela garota de cabelos acobreados. Sentia o desejo de viver uma vida inteira com Lillie e para sempre amá-la e protegê-la. Mas não podia. Seus caminhos não poderiam se entrelaçar daquela maneira. Ela era uma Typhoon e se soubesse quem ele realmente era, o abandonaria sem pestanejar. Outro beijo com mais carinho.
-Não podemos – ele indagou.
-Tudo bem... Em minha terra garotas como eu já tem filhos – Lillie sorriu e o abraçou com força, fazendo-o retribuir o abraço com um beijo – Meu pai ficará feliz se souber que já sei com quem irei me casar no próximo verão.
-O quê? – Mandraeke afastou-se bruscamente de Lillie – Não pode... Quero dizer, não posso casar-me com você!
-Por quê? – Lillie sentiu uma intensa vontade de chorar – Você queria só se aproveitar de mim, é isso? – Mandraeke negou imediatamente. Era preciso contar a verdade. O rapaz correu até ela e a abraçou – Por que você não quer ficar comigo?
-Eu quero. Pelos céus, como eu quero ficar com você! – ele sussurrou – É primeira vez que me sinto assim, com vontade de ficar para sempre ao lado de alguém, lhe juro! Mas não posso – Lillie, angustiada, o encarou – Somos de mundos diferentes destinados a viver separados – ela se desvencilhou dele – Nascemos para sermos inimigos, não amantes! – eles se encararam.
-Do que está falando?
-Meu nome – o garoto se engasgou com as próprias lágrimas que ele insistia em prender – Meu nome é Mandraeke Aequoreas, o Amaldiçoado, filho de Dokar, líder dos Viajantes – Lillie assombrou-se. Os Viajantes era uma frota de lutadores poderosos que aportavam de ilha em ilha matando e saqueando toda cidade que viam. Eram inimigos declarados de seu povo desde muito antes do tempo.
-Então o que faz aqui? Veio me sequestrar?!
-Não! Nunca! Jamais! – Mandraeke não pode segurar mais as lágrimas – Eu fui amaldiçoado no meu nascimento e quando completei onze anos fui expulso de meu próprio lar, pela minha própria mãe! Roubei a espada que forjaram para mim, pois meu pai negou-me o direito de usá-la! – o corpo do rapaz caiu de joelhos – Estou vagando sozinho por essa terra há tantos anos com fome e cansaço, escapando de todos os perigos que o destino colocou em meu caminho... Tudo o que me restou foi minha missão de passagem... E ainda sim é morte na certa...
Lillie também chorava.
Apaixonara-se por aquele garoto magricela que há tanto tempo sofria e agora descobria que o destino arquitetara contra os dois para que nunca ficassem juntos. Mandraeke enxugou suas lágrimas e se levantou alegando estar acostumado com o sofrimento e que ela não deveria se preocupar. Sussurrava que ficaria tudo bem no fim das contas. Lillie sabia que não e também sentia que aquele era o seu escolhido. 

Contos da Meia-Noite

Conto III


         Dezoito. Essa era a quantidade horas que meu namorado estava a encarar dois psiquiatras, que se revesavam de vez em quando, e cinco policiais. Tudo o que ele expressava era um efêmero sorriso quando os psiquiatras trocavam de lugar, que sumia tão logo quando os policiais lhe apontavam as armas. Sua respiração compassada por baixo da camisa branca marcava sua tranquilidade. Ele estava amarrado a uma cadeira de ferro soldada no chão. Eu tinha a sensação que ele sabia que eu estava observando-o o tempo todo, do outro lado de um espelho-vidro. 
          Jeremias, esse é o seu nome. Nunca um nome foi tão temido desde Hannibal Lecter. Um nome bobo, eu sei. Era o que ele sempre me dizia quando dormíamos juntos. "Jeremias... Que nome bobo minha mãe escolheu para mim, não? Poderia ter sido outro..". Quem diria? Lá estava eu fitando, com os olhos vermelhos e molhados de tanto chorar por horas, o homem que sempre amei. Apenas durante uma hora me deixavam entrar no local. Diziam que era um forma de Jeremias contar tudo, mas sua boca estava selada num sorriso macabro. Nem mesmo meus pedidos e clamores o faziam falar.
          Fecharam-se as vinte e quatro horas. Nenhuma palavra, nenhum momento de sono, ninguém retrucou nada, seu comportamento estava intacto. Libertaram-no. Não tinham provas de que Jeremias era o culpado por todos os alunos de nossa turma que ficaram psicologicamente transtornados depois de ouvirem sua apresentação de um trabalho de filosofia. Quando voltamos para casa fizemos amor. Jeremias me disse que a única forma de ter se mantido tranquilo fora pensar em mim o tempo inteiro.
           -Eu te amo Ana- ele sussurrou, abraçando-me carinhosamente - Eu realmente te amo.
           -Eu também - beijamo-nos - Mas por que eles acusaram você?
           Novamente aquele sorriso.
         Jeremias levantou-se da cama e foi até o guarda-roupa. No caminho, ele terminava de se vestir sem pressa e com certa elegância. Tirou de lá uma mochila grande. Ele a abriu e conferiu todos os objetos que haviam ali: variavam desde roupas até documentos. Em seguida colocou a mochila no canto da porta. Jeremias vestiu apenas uma calça jeans surrada e uma blusa branca, mas retirou do guarda-roupa seu casaco preferido, longo e preto, e vestiu-o. Fiquei observando-o organizar-se como num ritual.
         Retirou dois últimos objetos de lá. Eles cintilavam e pareciam serem feitos de ferro. Jeremias notou minha curiosidade e me mostrou os objetos. Duas armas iguais. Ele as colocou na parte de trás de sua calça e foi até a porta. Rapidamente me levantei da cama, pouco me importando com a falta de roupa em meu corpo. Eu o abracei com força, quase querendo tomar as armas dele.
           -Até que se prove o contrário, não existe homens inocentes, certo? - ele proferiu - Eu te amo demais para permitir que sofra... - ele me beijou - Não há como provar, mas realmente eu fiz o que eles disseram - Jeremias foi até a cama e pegou um lençol, envolvendo-me com ele - Eu queria provar ao meu professor que a sanidade não existia, independente do que se faça e consegui. Transformei uma turma de alunos em loucos completos, porque essa é verdadeira essência humana...
            -Mas o que fará se descobrirem a verdade?
         -Eles nunca descobriram, porque a verdade é escura demais para que os olhos deles possam enxergar e nenhuma luz sobre ela poderá dissipar a escuridão, apenas a luz tênue de uma vela.
            -Mas do que você está falando?
            Ele me beijou.
          -Não se preocupe. Algum dia virei libertá-la, tal como eu libertei - ele sorriu - A verdade vem para todos, meu amor, mais cedo ou mais tarde.
         Um novo beijo e o vi sair pela porta. Sua sombra foi desaparecendo na medida em que ele ia cerrando a porta atrás de si. Desejei falar-lhe algo, mas minha boca não se movia mais.


*****
Recorte de um jornal local:
Tiragem de 15/05/2012
Subiu para 67 o número de pessoas encontradas em estado catatônico. Todos os pacientes possuem as mesmas características: posicionadas de maneira vertical, com a face voltada para o alto, nenhum impulso motor evidente, nenhuma resposta a estímulos das mais diversas naturezas, baixos sinais vitais e pouca atividade cerebral. A causa ainda é desconhecida. Médicos afirmam que a causa, apesar de desconhecida, não pode advir de doenças, tampouco de venenos, posto que grupos inteiros foram encontrados na mencionada situação e nenhum indício para tais foram encontrados pela polícia local. O Instituto Médico Legal admitiu, em nota para a imprensa, que apenas uma das 67 vítimas, uma jovem de apenas 17 anos, conseguiu sair do estado vegetativo sem o auxílio de medicamentos, isto é, por conta própria, mas esta foi dada por desaparecida no dia 01/05/2012, depois de receber a visita de seu suposto marido. Nenhum vestígio de fuga fora encontrado no quarto da paciente por nome de Ana. A polícia acredita que ela tenha escapado pela porta da frente juntamente com seu parceiro, no entanto as câmeras de seguranças filmaram o homem sendo revistado por policiais que vigiam o local, e saindo sozinho pela citada porta. Nenhum paciente recuperou-se depois do desaparecimento da jovem.


por Ayanny P. Costa

quinta-feira, 9 de maio de 2013

UMAS PALAVRAS... PONTO FINAL Informa

Caso algum leitor deseja contribuir com obras, literárias ou não para o blog, sejam elas contos, poemas, resumos, resenhas, romances, enfim... As mais diversas criações, aqui apresento um email para isso.
Peço a todos que enviarem suas criações (claro, terão as autorias devidamente colocadas no blog), terão que apresentar as seguintes informações no email de envio:

Assunto: UMAS PALAVRAS PONTO FINAL
Email para enviar: letras.urca.foco@gmail.com
No corpo do email:   Nome do autor (obrigatório)
                              Pseudônimo ou Apelido (facultativo)
                              Gênero
                              Assunto do texto
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                              Arquivo contendo o texto


Após a devida análise do texto, um email será enviado confirmando o recebimento e a publicação do texto no blog. Nenhum texto que vai contra os direitos humanos, bem como faça apologia à conceitos preconceituosos sem uma justificativa clara, ou que faça propaganda, bem como conteúdo imoral será publicado.

Obrigada.