04
Uma sensação quente subiu por seu corpo e quando deu
por si, estava com os lábios presos aos de Mandraeke num forte beijo de
carinho. Já se sentira apaixonada por homens, mas nunca ao ponto de beijá-los
repentinamente. Os dois jovens abraçaram-se com força e compartilharam as
emoções na flor da pele naquele beijo sob a luz do luar. Novos beijos brotaram
do coração de Lillie e Mandraeke recebera cada qual como se fosse único. Por
fim se encararam.
As respirações
descompassadas, mas juntas. Os rostos suados e unidos pelas testas. Os lábios
distantes, mas próximos o suficiente para se ligarem novamente. Os braços e as
mãos mantinham o calor daquela paixão viva. Os olhos mirando-se sem pressa, com
carinho e contemplação. Mais um beijo.
Era primeira vez
na vida de Mandraeke que ele se sentira tão atraído por alguém e ainda mais
sendo desconhecido. No fundo de sua alma queria ficar para sempre ao lado
daquela garota de cabelos acobreados. Sentia o desejo de viver uma vida inteira
com Lillie e para sempre amá-la e protegê-la. Mas não podia. Seus caminhos não
poderiam se entrelaçar daquela maneira. Ela era uma Typhoon e se soubesse quem
ele realmente era, o abandonaria sem pestanejar. Outro beijo com mais carinho.
-Não podemos –
ele indagou.
-Tudo bem... Em
minha terra garotas como eu já tem filhos – Lillie sorriu e o abraçou com
força, fazendo-o retribuir o abraço com um beijo – Meu pai ficará feliz se
souber que já sei com quem irei me casar no próximo verão.
-O quê? – Mandraeke
afastou-se bruscamente de Lillie – Não pode... Quero dizer, não posso casar-me
com você!
-Por quê? –
Lillie sentiu uma intensa vontade de chorar – Você queria só se aproveitar de
mim, é isso? – Mandraeke negou imediatamente. Era preciso contar a verdade. O
rapaz correu até ela e a abraçou – Por que você não quer ficar comigo?
-Eu quero. Pelos
céus, como eu quero ficar com você! – ele sussurrou – É primeira vez que me
sinto assim, com vontade de ficar para sempre ao lado de alguém, lhe juro! Mas
não posso – Lillie, angustiada, o encarou – Somos de mundos diferentes
destinados a viver separados – ela se desvencilhou dele – Nascemos para sermos
inimigos, não amantes! – eles se encararam.
-Do que está
falando?
-Meu nome – o
garoto se engasgou com as próprias lágrimas que ele insistia em prender – Meu
nome é Mandraeke Aequoreas, o Amaldiçoado, filho de Dokar, líder dos Viajantes
– Lillie assombrou-se. Os Viajantes era uma frota de lutadores poderosos que
aportavam de ilha em ilha matando e saqueando toda cidade que viam. Eram
inimigos declarados de seu povo desde muito antes do tempo.
-Então o que faz
aqui? Veio me sequestrar?!
-Não! Nunca!
Jamais! – Mandraeke não pode segurar mais as lágrimas – Eu fui amaldiçoado no
meu nascimento e quando completei onze anos fui expulso de meu próprio lar,
pela minha própria mãe! Roubei a espada que forjaram para mim, pois meu pai
negou-me o direito de usá-la! – o corpo do rapaz caiu de joelhos – Estou
vagando sozinho por essa terra há tantos anos com fome e cansaço, escapando de
todos os perigos que o destino colocou em meu caminho... Tudo o que me restou
foi minha missão de passagem... E ainda sim é morte na certa...
Lillie também
chorava.
Apaixonara-se
por aquele garoto magricela que há tanto tempo sofria e agora descobria que o
destino arquitetara contra os dois para que nunca ficassem juntos. Mandraeke
enxugou suas lágrimas e se levantou alegando estar acostumado com o sofrimento
e que ela não deveria se preocupar. Sussurrava que ficaria tudo bem no fim das
contas. Lillie sabia que não e também sentia que aquele era o seu escolhido.
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