Os 4 selos
Século IV d.C, ano de 576.
Passos fortes, tambores trovejantes, gritos de horror. Morte...
-Sim... Nós já havíamos previstos isso, meu jovem...
Cinco grandes capuzes em volta de uma fogueira de chamas esbranquiçadas com o centro azul, a criança, o menino, chegara ao momento em que eles estavam reunidos: quatro dos cinco anciões carregavam consigo bebês envoltos de panos simples e acinzentados, o quinto esperava cabisbaixo.
-Vocês precisam sair daqui!!! Eles vão matar vocês!!!
-Não podemos sair, ouvimos sons de tambores próximos, não podemos sair, este é o nosso fenecimento... Nossa sina aqui termina, tal como aqui iniciou... Seu destino está selado, Lendew: um dia irá nos acompanhar nos longos campos Elíseos, por hora tu serás razão para destruição e dor, nada poderá fazer contra a não ser aceitar... Seguirá tais bebês, os conhecerá e num futuro longínquo, mas que se cumprirá, lutará contra a salvação e só assim encontrará a tua...
-Não... Não... Não... Não...
-Tu não poderás escapar... Não chores... Logo estarás conosco!
O menino enxugou os olhos e escondeu-se entre os totens que lá existiam, dentro de si sentia a fúria crescer, não queria ser abandonado, mas seus mestres iriam lhe abandonar, não tinha escolha.
Os seus mestres dariam a vida por bebês que nada fariam, era o que se passava em seu consciente.
As cinco figuras estenderam seus braços para o fogo com as crianças nas mãos, começaram a orar, nos quais só se ouviam sussurros. O fogo cresceu, as crianças brilharam: em cada criança símbolos surgiram e se estenderam tal como o fogo marcando seus corpos por completos, mas elas não choravam, os anciãos as soltaram no fogo e elas flutuaram.
-Que a chama dos séculos, conhecida por curar e guardar o que os homens conhecem como elixir da vida, envolva esses seres... – disse o primeiro.
-Proteja essas crianças e sele nas mesmas a razão de toda a nossa existência, os quatro grandes pilares... – disse o segundo.
-Para que nunca possam ser corrompidos com os desejos mundanos daqueles com almas negras e corpos de trevas... – disse o terceiro.
-E assim depositamos todo o nosso poder e confiança, afim de que um dia elas restaurem o que nunca passou de utopia! – disse o último.
As crianças caíram no fogo e foram consumidas por completas. Mais uma mulher foi levada ao fogo pelo quinto ancião, ela estava desmaiada nos braços dele, o quinto ancião caminhava devagar fazendo orações, o corpo da mulher mudou, adquirindo características de símios, ela vestia uma armadura de amazona e carregava consigo um cajado preso as suas costas.
-Tu serás por alguns tempos aquela que dirão ser o anjo protetor dos pilares, mas serás tu que se voltará contra os pilares e tentará derrubar os mesmos, que tal profecia se cumpra, profecia vista pela sacerdotisa Helen, o olho dos tempos... O fogo lhe servirá de guia até que o mal lhe corrompa...
A mulher flutuou tal como as crianças e logo entrou em chamas, o menino tudo via em silêncio e a sua fúria crescia, ao passo que os sons das batidas dos tambores também aumentavam.
Os anciãos voltaram a ficar em volta do fogo esbranquiçado, sentaram e oraram em voz baixa, batidas fortes soaram das portas, elas se moviam violentamente, porém não abriam, mas não duraram muito tempo, logo elas se renderam aos golpes poderosos dos seres malignos nomeados por Bastardos, que seguiam seu líder Armagedon e que tentavam invadir o local.
Logo cederam e bastardos de todas as raças malignas, que o submundo guardava em seu seio, entraram e os anciãos nada fizeram.
Continuaram a orar em voz baixa.
-Onde estão os elementos?-uma voz poderosa soou vinda de um longo ser que trajava um capuz negro e usava máscara prateada, sua voz era grave e cortante, todos os seres calaram-se. Lendew observava.
-Você não... Poderá possuí-los... Eles não se encontram mais aqui... – o ancião ofegava.
-O QUÊ?!?!?!-um urro ecoou por todo o salão, todos os bastardos gritaram.O ancião entrou em chamas e se tornou cinzas, nada sobrara.
A grande sombra voltou-se para Lendew e moveu-se lentamente em sua direção com as mãos cobertas por uma luva metálica que projetava garras apontando para ele, com o intuito de acolhê-lo.
O menino saiu de trás dos totens e segurou a mão daquela grande sombra, e os dois sumiram diante dos monstros deixando para trás uma nuvem de fumaça negra que cobriu todo o salão. Tudo começou a ser destruído, criaturas foram mortas. A guerra fora concretizada.
Nações uniram-se para destruir outras nações. Famílias inteiras foram mortas. Criaturas mágicas esconderam-se nas florestas e deram vida as mesmas, para conseguir proteção, vampiros lutaram contra vampiros: monstros contra sanguessugas, primordiais(vampiros puros) eram aniquilados pelo sangue dos lobisomens, conhecidos como espíritos nórdicos.
Humanos guerreiros contra magos alquimistas, tudo virara um caos.
Sim. Seria o fim.

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