terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nada mais que dormir

Enfim tudo estava calmo e monótono novamente, o silêncio entrava pelas portas e janelas da minha casa, escorregando pelos corredores, subindo as escadas sem usar sapatos, chegando ao meu quarto deixando tudo absolutamente propício ao sono. Como demorou para chegar.
Em minha cama rodeada de grades, que minha mãe chama costumeiramente de berço, um objeto está paralelo a ela. O vento o movimenta. O som que tal objeto produz me faz bocejar por longos segundos. Minha mãe entra em meu quarto como uma gata faceira, pega-me no colo e me pergunta se está tudo bem.
-Tão lindinho! Tão quietinho! Tão fofinho esse bebezinho! Oh, Daniel, como você me faz feliz! - minha mãe coloca-me no colo e anda comigo me fazendo mil perguntas, as quais não respondo.
Logo sou colocado de volta ao berço. Ela sai e fecha a porta devagar, talvez tivesse a intenção de não quebrar o silêncio que um domingo de manhã proporciona, mas era tarde: já havia acontecido no momento que ela surgiu pela porta saltitando. O silêncio retorna. Bocejo novamente. Tudo volta a tranquilidade dominical: o sol entrava por frestas produzidas por árvores atrás das janelas do meu quarto.
Absolutamente nada para se fazer, como desejei o tempo inteiro durante todo o domingo. Mais um bocejo, pálpebras pesadas, outro bocejo. Um pássaro pousa num galho e começa a cantar, eu estou sendo levado pelo mar da dama do sonho. Fecho os olhos, eu vejo estrelas cintilantes quicando em volta do berço, nem sei se é de manhã ainda ou se a noite chegou.
Mas ao sair, feche a porta...

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