terça-feira, 11 de outubro de 2011

Prosas de um adolescente entediado

O relógio do meu quarto sussurrava, sobre minha cabeça, um "tic-tac" contínuo e incomodante. Suspiro incomodado com o batuque do relógio. Estou sentado num banco de madeira rústica observando os jardins de minha mãe, chove torrencialmente lá fora. A pesar de o sol não estar à pino, eu sei que já passa do meio-dia por causa do irritante relógio.
Tento me concentrar no barulho da chuva e nos jardins.
Coitados, Estão sendo castigados por um crime que não cometeram, fazer o quê? Escuto trovões, vejo relâmpagos. Bocejo por causa da monotonia do meu quarto causada pela chuva e o "tic-tac" irritante do relógio, eu acredito que não exista lugar mais melancólico para se estar num domingo chuvoso ao meio-dia do que num quarto de um adolescente entediado que possui um relógio irritante.
Mais um bocejo entediado.
Eu me estico inteiro no banco, quase caio, logo volto à posição inicial em que eu me encontrava. Suspiro. Um passarinho toma banho no chafariz que existe no centro do jardim, um passarinho corajoso, pois como voará com as asas molhadas? Eu creio que o passarinho ouviu meus pensamentos, pois ele voou para um galho, protegendo-se da chuva. Sorrio com o que ocorre após.
O passarinho me observa como se confirmasse o que eu acabara de pensar.
Essa minha conclusão deve-se ao tediante domingo e do fartoso almoço às onze horas: barriga cheia, organismo sobrecarregado com a digestão, a chuva de verão, um passarinho que ouve pensamentos, um relógio irritante, nada para fazer e sono. Talvez seja o dia mais patético do ano.
O passarinho foi embora. Ouço passos pela casa. Meu pai está vindo, dou outro suspiro, minha atenção está divida entre os passos do meu pai, o batuque do relógio e os tamborins da chuva poderosa. Não sei o que pode ser mais entediante entre as três situações. Bocejo.
Espero dormir antes de meu pai pedir para eu fazer algo mais chato ainda com ele.

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